O mito do bem-estar corporativo: por que benefícios não resolvem burnout
- Instituto Kaz
- 3 de fev.
- 2 min de leitura

Bem-estar não é benefício. É sistema de gestão.
Se bem-estar fosse resolvido com benefício, campanhas ou treinamentos pontuais, o adoecimento no trabalho já teria diminuído.
Mas os dados mostram o contrário.
A ciência organizacional é bastante consistente em um ponto: programas de bem-estar isolados têm efeito limitado quando o sistema de gestão continua adoecedor.
Pesquisas baseadas no modelo Job Demands–Resources (JD-R) mostram que o principal preditor de burnout não é a ausência de iniciativas de cuidado, mas a combinação entre:
Demandas excessivas e mal reguladas.
Baixo controle sobre o trabalho.
Pouca previsibilidade e incoerência decisória.
Liderança pressionada e reativa.
Meta-análises publicadas em periódicos como Journal of Applied Psychology e Academy of Management indicam que intervenções focadas apenas no indivíduo (mindfulness, gestão do estresse, resiliência) geram alívio pontual, mas não sustentam mudanças quando metas, incentivos e práticas de liderança permanecem intactos.
Não por acaso, estudos revisados pela Harvard Business Review mostram que: ✔️Equipes com maior clareza de prioridades e critérios decisórios apresentam menor exaustão, mesmo sob alta pressão. ✔️Segurança psicológica só se mantém quando há coerência entre discurso e decisões reais. ✔️Culturas que recompensam entrega a qualquer custo anulam qualquer política de bem-estar.
O ponto central é simples — e desconfortável:
Bem-estar não é um programa. É uma consequência do sistema de gestão.
Ele aparece (ou não) em perguntas muito práticas:
Como metas são definidas e renegociadas?
O que acontece quando alguém erra?
Que comportamentos são promovidos a cargos de liderança?
Como decisões difíceis são explicadas — ou simplesmente impostas?
O sistema protege pessoas ou se protege delas?
Quando bem-estar entra no sistema de gestão — em critérios de liderança, avaliação de desempenho, desenho de trabalho e rituais decisórios — ele deixa de ser discurso e vira capacidade organizacional.
Quando fica restrito a ações paralelas, vira cosmética.
E o custo aparece depois: cinismo, rotatividade, adoecimento e performance apenas aparente (presenteísmo e ghostworking).
A pergunta não é se a empresa investe em bem-estar.
A pergunta é:
o que, no seu sistema de gestão, reforça saúde — e o que a contradiz todos os dias?

Mestre em Psicologia, Especialista em Psicologia Positiva, Felicidade Corporativa e certificada como CHO ( Chief Happiness Officer). Profissional com mais de 20 anos de experiência na área de Gestão de Pessoas, com foco em desenvolvimento humano organizacional atuando em empresas nacionais e multinacionais de médio e grande porte. Mais de 10 anos de experiência em cargos de liderança, atuando em implantações, projetos e programas de Gestão de Pessoas. Sólida experiência em todos os subsistemas de Recursos Humanos, principalmente em Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Educação Corporativa. Certificação internacional no Modelo Barrett para diagnóstico e evolução da Cultura Organizacional, pelo BVC (Barrett Values Center). Professora de cursos de graduação e pós-graduação.
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